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Saudade

Escrito em 20 de outubro de 2021

Saudade

No silêncio, quando fecho os olhos.

Quando o teu cheiro me invade como se ainda aqui estivesses.

Quando sinto o calor da tua mão. Ele teima em fazer-se extinguir.

Quando o paladar grita por todos os sabores que emprestavas à comida.

Quando as flores desabrocham e as hortênsias ganham cor.

Quando cuido de um quintal que em tempos já foi por ti - e por outra geração - velado. Foi nele que me encontrei.

Há nele borboletas. E são brancas. 

Quando te imagino a rir descontroladamente. A tua gargalhada ecoa.

Quando me questiono sobre o teu conselho. A tua opinião. Sinto falta do teu carinho.

Quando me dou conta da ausência do teu amor. E que falta me faz!

Eras a única pessoa que vivia por mim. Ninguém, jamais, conseguirá amar-me assim.

Quando os outros chamam o teu nome quando me fitam.

Quando te vejo nos seus olhos, que me emprestam o meu reflexo.

Quando repito, impensadamente, as mesmas palavas e expressões que ouvi desde sempre.

Quando, sempre e mais uma vez, confirmo que sou o resultado de tantas mulheres que habitam em mim.

O sangue, a mente e o coração são mistura de tanto! Será magia? 

Quando eu te vejo no meu fruto. Tem tanto de mim, de ti, de nós. 

Mas, principalmente, quando os meus silêncios gritam por ti.

Tu és saudade. Em todos os momentos.


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