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Carta ao meu velho Pai

Escrito em 13 de fevereiro de 2022

Carta ao meu velho Pai

Pai, eu oiço a tua voz. Sinto o teu toque.

Quando estás perto, sinto o bater acelerado do coração da mamã.

Sei que estás aqui. Ansioso por conhecer-me. 

 

Pai, embala-me. Por aqui. Por ali. Durante longas horas.

Aconchega-me nas noites frias. Cuida de mim. E da mãe. 

Coloca-me nas tuas costas e vamos passear. 

Deixa-me gargalhar contigo. Sê o meu herói.

 

Pai, deixa que eu cresça rodeada de amor.

Apesar da curiosidade, da rebeldia e da insensatez: características da juventude.

Dá-me a certeza do teu conselho. Dá-me a certeza do teu carinho.

Para que não me perca. Para que encontre sempre rumo.

Dá-me espaço. Mas garante que nunca me sentirei só.

 

Pai, agora que caminho sozinha, e que da tua casa parti, não me largues.

Trilho a estrada com a certeza de que sei bem a tua morada.

Porque a ela rumarei sempre. Para ouvir o teu conselho. Para colher a tua sabedoria.

 

Pai, como és belo quando sorris. Ao ver os teus filhos. Ao ver os teus netos.

Tens nas tuas mãos as marcas da tua história. Da nossa história.

Trazes contigo as recordações. Os locais, as pessoas, os momentos. 

Sou eu agora que cuido de ti. Como antes cuidaste tu de mim. 

 

Pai, agora que te sinto velho e mais cansado do que nunca, preciso de ti.

Como precisei desde o momento em que te ouvi cantar para mim - ainda na barriga da mãe.

Como precisei quando cresci e me tornei jovem, capaz de mudar o mundo.

Como precisei quando encontrei o meu caminho e garanti que dele fazias parte. 

Mas amanhã, meu velho Pai, sei que vou precisar ainda mais de ti.  


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